Em 2019, a Assembleia Geral da Organização
das Nações Unidas instituiu o dia 5 de abril como o Dia Internacional da
Consciência. O objetivo, segundo a organização, é construir uma “cultura da
paz”, por meio de educação de qualidade e atividades de conscientização
pública, promovendo o desenvolvimento sustentável. O fato de a consciência social só ter entrado
nas pautas da ONU após 50 anos desde a criação da organização, indica que o
tema ainda está distante da grande maioria das pessoas. Afinal, por que a
consciência social é importante e de que forma sua ausência se manifesta no
nosso dia a dia?
Quando se discute a essência da
consciência social, passamos por diversas áreas de estudo, como a psicologia, a
sociologia, a filosofia e até mesmo a teologia. A consciência é entendida pela
psicologia como a construção da existência do ser humano a partir de uma ação
sobre a realidade, com o objetivo de satisfazer suas necessidades. De forma
prática, a consciência social pode ser definida como a consciência
compartilhada por indivíduos dentro de uma sociedade. Em outras palavras, é a
capacidade de refletir sobre opiniões arraigadas sobre justiça social, e também
sobre sustentabilidade. Ter consciência social é saber identificar a sua
posição na comunidade, o seu papel na sociedade e o alcance das consequências
de suas atitudes.
Para maioria das pessoas, no que
diz respeito à realidade das suas comunidades ou, de forma mais ampla, da
sociedade, existe uma lacuna entre o tipo de mundo que elas veem e o tipo que
elas querem. Em um nível pessoal, a consciência social é o que preenche essa
lacuna. Se podemos compreender nossa própria consciência social, podemos fazer
escolhas mais conscientes para ajudar a moldar a sociedade de acordo com nossos
valores. Se somos capazes de incluir o próximo nesta reflexão, entendendo a
consciência social de forma coletiva, podemos encontrar valores e objetivos
comuns entre grupos aparentemente diversos e idealizar movimentos para promover
mudanças. Compreender a consciência social, seja nossa ou de terceiros, ajuda a
identificar suposições, valores e visões, tornando-a um elemento importante na
alfabetização em sustentabilidade, e uma ferramenta útil para uma transformação
social e ecológica eficaz.
Tomando o Brasil como exemplo, é evidente
o impacto causado por cidadãos alheios a realidade do país, especialmente dos
mais pobres. De um lado, temos a metade mais rica da população cuja maioria não
faz ideia da sua posição socioeconômica. Do outro lado, a metade mais pobre é
esmagada pela desigualdade. As consequências desta disparidade social são
explícitas e mensuráveis: o Brasil é o oitavo país mais desigual do mundo e o
nono em índice de homicídios, segundo relatório da ONU. No quesito qualidade de
vida, o Brasil aparece cada vez mais longe do topo do ranking, ocupando hoje a
84ª posição. Se nem todos percebem e reconhecem a realidade do próximo, como é
possível que a sociedade se junte para superar problemas coletivos?
Em suma, a pobreza, a
desigualdade, a violência, a fome e diversos outros problemas podem ser minimizados
com atitudes simples, porém eficazes. Os líderes já estão percebendo o
potencial da consciência social. Agências das Nações Unidas, como a Unesco e a
Aliança das Civilizações já realizam e promovem atividades
relacionadas com a cultura de paz e não violência, por meio de uma série
de projetos práticos nas áreas de juventude, educação, mídia e migração. A
organização também busca colaborar com governos, organizações
internacionais, fundações e grupos da sociedade civil, bem como a mídia e o
setor privado, em ações para disseminar a paz, a tolerância e a solidariedade. Para
superar esta eterna pandemia de indiferença, devemos semear a consciência
social entre as novas gerações, para que num futuro tenhamos adultos cientes do
seu papel como cidadão.
LINKS:
Calcule a sua posição socioeconômica diante da realidade brasileira.
Observatório do 3º setor - A relação entre voluntariado e consciência social, com Filipe Ventura:
REFERÊNCIAS:
AGUIAR, Wanda Maria Junqueira. Reflexões a partir da
psicologia sócio-histórica sobre a categoria" consciência". Cadernos
de Pesquisa, p. 125-142, 2000.
COOLEY, Charles H. Social consciousness. American
Journal of Sociology, v. 12, n. 5, p. 675-694, 1907.
MEAD, George H. The mechanism of social consciousness. The
Journal of Philosophy, Psychology and Scientific Methods, v. 9, n. 15, p.
401-406, 1912.
MEAD, George H. The mechanism of social consciousness. The
Journal of Philosophy, Psychology and Scientific Methods, v. 9, n. 15, p.
401-406, 1912.
UN Department of Economic and Social Affairs. Inequality in a
Rapidly Changing World. World Social Report, 2020. Disponível em: https://www.un.org/development/desa/dspd/wp-content/uploads/sites/22/2020/01/World-Social-Report-2020-FullReport.pdf
GRUPO 3: Amanda Cristina Corrêa Vaz, Artur Rodrigues de Moura, Bruna Monte Duarte, Bruno Augusto Gomes Ramos.

Estou totalmente de acordo com o texto. É importante tomarmos e entendermos nossa própria consciência social para moldar e construir uma sociedade pautada na justiça social. Acrescentaria no final do texto apenas duas palavras consciente e atuante, "(...) para que num futuro tenhamos adultos cientes, conscientes e atuante do seu papel como cidadão". Atuante para que todos os cidadãos sejam pessoas ativas e não passivas frente às desigualdades que assolam inúmeras comunidades e grupos sociais.
ResponderExcluirDessa forma, observamos também que a empatia é parte importante da consciência social. Pois, se refere à capacidade de se colocar no lugar do outro. E os valores devem ser aprendidos desde a infância, pois estimulam as pessoas a perceber a sua responsabilidade no mundo em que vivem, pois será levado por toda a vida.
ResponderExcluirImportante terem ressaltado no texto sobre a desigualdade, pois quando se fala de social, muitas pessoas relaciona somente com a sustentabilidade e visto que o grupo trouxe outra visão que é de suma importância.
ResponderExcluirConcordo com o texto. Me fez refletir que a desigualdade quando observada com olhares mais críticos está em todos os momentos de nossa vida. Com isso, temos o dever de analisar as melhores escolhas de acordo com nossos valores a fim de minimiza-la.
ResponderExcluirTexto super explicativo. Muito triste saber que o nosso país está tão atrás em relação às questões sociais, e que somos a geração que pode plantar uma semente de esperança para que este cenário mude. Nunca é tarde para melhorar a nossa consciência social e abrir um leque de oportunidades para nos tornamos pessoas melhores.
ResponderExcluirLegal como o texto trás a relação da consciência social com outros fatores que não só atribuídos a sustentabilidade, e que pode ser observado como fator de influência também em questões como a desigualdade, violência e a fome.
ResponderExcluirDe fato e de suma importância trazer esse tipo de informação, para a construção de valores fundamentais como o respeito, a responsabilidade e o senso de justiça, infelizmente ainda existe muita indiferença na nossa sociedade
ResponderExcluirRealmente, parece que existem muitas atitudes simples que são extremamente eficazes para minimizar problemas os problemas citados no texto. Também concordo que o envolvimento dos governos, organizações e sociedade é fundamental para o desenvolvimento da consciência social, gerando um ciclo ascendente de evolução.
ResponderExcluirTexto importantíssimo e super pertinente sobre ressaltar que com a consciência social podemos afetar o futuro positivamente, ou negativamente quando há a ausência dela.
ResponderExcluirEssa significância das questões sociais no âmbito da desigualdade, fome, miséria é de extrema importância. Apenas quando nos colocarmos no lugar dos outros, daremos o devido valor ao verdadeiro "social". Os dados apresentados são surpreendentes, é um assunto que ainda precisa se tornar muito mais presente em nossas vidas.
ResponderExcluirMuito importante como foi abordado e explicado no texto. A leitura colaborou para que possamos entender e sentir a importância do respeito, dos valores e responsabilidade social. Estamos a todo momento em diversas mudanças e que causam desigualdade social, precisamos olhar no macro e verificar quais pontos geram a sensibilidade para a fim de minimizar os impactos causados por conta das indiferenças.
ResponderExcluirSe faz muito importante a visão das lideranças organizacionais terem esse olhar voltado para a consciência social. Se pudermos incluir outras pessoas nesta reflexão e compreender coletivamente a consciência social, podemos encontrar valores e objetivos comuns entre grupos obviamente diferentes e idealizar o movimento que impulsiona a mudança inclusive nas empresas.
ResponderExcluirAcredito que a consciência social vem muito quando aprendemos a olhar para o outro com olhar de empatia, quando nos importamos com o próximo.
ResponderExcluirA consciência social é seu entendimento é muito importante e no caso do Brasil temos um pergunta chave que é trazida pelo texto - "Se nem todos percebem e reconhecem a realidade do próximo, como é possível que a sociedade se junte para superar problemas coletivos?" - a frase exemplifica a falta de consciência de classe existente no país, temos um país dividido, entre pessoas que dentro do contexto social, se acham ricas, e temos a população pobre, que está constantemente exposta as mazelas sociais. A falta de compreensão do problema agrava nossa desigualdade social, enquanto na verdade todos, ricos e pobres são de certa forma vítimas de uma sociedade desigual, ressaltando, claro, que a parte menos abastadas, tem no seu dia a dia a vivência dos problemas, como educação precária, saúde e educação de qualidades, além da violência e precariedade no seu bem-estar. Logo, a consciência de classe, ou seja, entender que existem pessoas com condições desiguais a sua, é muito importante para o crescimento da sociedade como um todo.
ResponderExcluirMuito interessante o que foi retratado, deveríamos ter acesso a esses dados com mais frequência para pensar mais no próximo, principalmente em um país como o Brasil que a desigualdade social é extrema, ficando atrás apenas da Rússia.
ResponderExcluirhttps://www.nexojornal.com.br/interativo/2016/01/11/O-seu-sal%C3%A1rio-diante-da-realidade-brasileira
ExcluirLink acima mostra a realidade do seu salário diante da realidade brasileira, quem tiver interesse!!
Marcela Gerardi
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirTexto muito explicativo, detalhe bem como o Brasil está atrasado sobre o tema. Fico triste com isso, e devemos sempre conscientizar as pessoas em nossa volta é um dever como cidadãos brasileiros.
ResponderExcluirAtt,
João Paulo Domingues Corrêa