No Brasil, a desigualdade social e seus problemas decorrentes é resultado histórico de descaso com a população em conjunto com a aplicação de políticas públicas descontinuadas ou mal executadas. Tratando-se de um país com grande população e extensão territorial, o poder econômico trazido por esses pontos não é repassado de forma igualitária ou até mesmo justa para os cidadãos brasileiros. Sendo assim a gestão social tem papel fundamental no planejamento, execução e eficiência de políticas públicas que tragam valor à sociedade e que atenda, principalmente, a população mais carente de tais políticas.
A gestão social tem como definição o processo de gerenciamento e administração de projetos e programas sociais. É importante ressaltar que a gestão social tem foco no interesse coletivo, objetivando trazer valor para a sociedade como um todo, envolvendo todos atores sociais e organizacionais. Portanto, trata-se de um processo participativo, de diálogo e consensual entre estas partes.
Segundo França Filho (2008), a gestão social é dividida em dois níveis, sendo o primeiro uma problemática da sociedade e o segundo é uma modalidade específica de gestão. Portanto, em primeiro lugar tem-se a demanda ou necessidade coletiva da sociedade, tendo como base a vontade da maioria em detrimento do indivíduo. Concomitantemente, o segundo nível se define exatamente como um recurso para contrabalancear esses excessos individuais.
Em relação ao Estado, responsável pela gestão social, vê-se um outro cenário. A garantia de saúde pública, educação de qualidade, saneamento básico, alimentação, moradia e bem-estar não acontece como deveria. Dessa forma, a gestão social deixa de ser uma ferramenta para garantir equidade e atender as necessidades coletivas e societais (PAES DE PAULA, 2008), e passa a ser um dispositivo que aumenta as desigualdades e prioriza o sucesso individual de algumas pessoas (minoria) - totalmente contrário à definição em si de gestão social.
Essas políticas apresentam um baixo aporte financeiro, não garantindo direitos universais do cidadão. Sendo assim, organizações privadas assumem papel do Estado para garantir tais direitos. No âmbito das organizações, existem diversas iniciativas de desenvolvimento e gestão social no Brasil. O Terceiro Setor, constituído por OMGs, institutos e fundações, tem como objetivo principal o desenvolvimento de atividades voluntárias ligadas a problemas sociais e aos direitos humanos. Em outras palavras, essas iniciativas suprem uma pequena parte do que é necessário, mas a atuação do Estado é decisiva para o sucesso do âmbito público e social.
Vídeo: Diálogos: Gestão social: sociedade e democracia
Referências:
FRANÇA FILHO, G. C. Definindo gestão social. In: Silva Jr, Jeová; Mâsih, Rogerio et.al (Orgs.). Gestão social: práticas em debate, teorias em construção. Fortaleza:Imprensa Universitária, 2008.
PAES DE PAULA, A. Por uma nova gestão pública. São Paulo: Editora FGV, 2008.
Dentro do contexto de desigualdade social apresentado, Barros, Henrique e Mendonça (2000) dizem que o Brasil não é um país pobre, mas um país com muitos pobres que no Brasil não falta recursos, estes é que são mal distribuídos, se concentram muito nas mãos de uns, enquanto a maioria detém o mínimo possível, inclusive de acesso a bens e serviços públicos enquanto responsabilidade do Estado.
ResponderExcluirConcordo com a opinião do grupo, no nosso país não temos uma boa gestão social, onde apenas uma minoria é privilegiada e a maioria que são os que realmente precisam de boas políticas públicas é esquecida.
ResponderExcluirInteressante a percepção sobre o estado em meio a responsabilidade social, por mais que seja um direito de todo cidadão, não acontece do jeito que deveria.
ResponderExcluirPodemos dizer que o grande desafio da gestão pública atualmente no Brasil é otimizar a divisão do capital a fim de que ele atenda a todas as esferas sociais.
ResponderExcluirInteressante como pode se observar a carência da gestão social no Brasil em relação a ações públicas, e como o setor privado aparece como forma de suprir essas necessidades. E é de grande ressalta como muitas vezes as ações de setores estatais para com a gestão social, vem disfarçadas e camufladas para o interesse público, quando o principal objetivo por entre linhas é o sucesso individual de uma minoria existente.
ResponderExcluirA gestão social garantindo os direitos da população à saúde, alimento básico, estudo, moradia... entre outros direitos que os cidadãos têm acontece só na teoria. Na prática, há um sistema de saúde precário e corrupto (assim como praticamente toda obra política), crianças saindo da escola para trabalhar, mal conseguindo terminar o ensino médio. Quando terminam a escola básica, é só mais um título, pois o ensino em muitas escolas públicas não é de qualidade, formando pessoas sem perspectiva de crescimento, sem pensamento crítico e que ganharão salários mínimos que não são suficientes para manter as necessidades básicas da família.
ResponderExcluirA gestão social tem mesmo um papel fundamental nos países, em especial e os subdesenvolvidos como o Brasil, onde a desigualdade é grande, que leis políticas públicas generalizadas e com um funcionamento precário, como se estivesse falando para um população com pouca desigualdade, pois ela tem um interesse coletivo, não só em uma parcela da população, como muitas vezes acontece na politica do Brasil, arrisco dizer que sem a gestão social muitas famílias ficariam em situação deploráveis .
ResponderExcluirAcredito que há algumas ações muito boas, mas com a dimensão territorial que temos e de repente, má gestão isso se complique em sua execução. Se não houver uma ação conjunta e vários grupos trabalhando juntos para otimizar essas ações, dificilmente esses grupos serão bem atendidos e alguns poucos ajudando de maneira superficial poderão transmitir uma visão errônea do que realmente fazem para a sociedade, às vezes alcançando um status muito maior do que estão trabalhando.
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